segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Publicações em livro (2)

A IMPORTÂNCIA DA LITERATURA INFANTO - JUVENIL PARA A
FORMAÇÃO DE LEITORES: UMA EXPERIÊNCIA NO PIBID DE TOCANTINÓPOLIS


Ada Lucia Sirila Pereira Barbosa1
Cibele Dos Santos Silva2
Mª Jucineide De Sousa3
Leirinalva Alves França4
Raiolene Matos Leal5


Palavras – chave: Literatura infanto – juvenil. Leitura. Infância.




INTRODUÇÃO


Este trabalho prima por compartilhar experiências vivenciadas por nós bolsistas do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência ( PIBID), do curso de Pedagogia, Campus de Tocantinópolis. Nosso trabalho foi realizado na Escola Municipal Walfredo Campos Maia, considerando a precariedade didático- pedagógico, sobretudo a forma como é realizada a leitura na escola.
As atividades foram desenvolvidas a partir do planejamento semestral no qual se elaborou o “Projeto Ziraldo e Ruth Rocha”, tendo como objetivo compreender aspectos importantes do processo de aprendizagem da leitura e da escrita, visto que, a alfabetização não é um processo baseado em perceber e memorizar, e, para aprender a ler e a escrever, o aluno precisa construir um conhecimento de natureza conceitual, ele precisa compreender não só o que a escrita representa, mas também de que forma ela representa graficamente a linguagem.
A metodologia adotada para a elaboração deste trabalho se deu a partir das situações vividas no decorrer do primeiro semestre de 2011, tendo como suporte teórico autores que tratam da literatura infantil e da sua importância na formação da criança. Assim sendo, apresentaremos a seguir, a experiência vivenciadas por nós bolsistas do PIBID de Tocantinópolis, tendo como suporte biografia e obras dos autores Ziraldo e Ruth Rocha.


EXPERIÊNCIAS VIVENCIADAS NO PIBID


Considerando que os pilares que sustentam o projeto PIBID no Curso de Pedagogia do Campus de Tocantinópolis referem-se ao despertar para a docência, referindo-se às bolsistas em seu curso de formação, e ainda o incentivo ao gosto pela leitura nos alunos assistidos, o trabalho realizado esteve voltado a esses princípios em todas as fases tanto de planejamento quanto na execução das atividades por nós propostas.
A partir das afirmações feitas anteriormente, tendo como objetivo maior despertar nas crianças o interesse pelo hábito de ler, nosso grupo optou por desenvolver um projeto no qual trabalhamos vida e obra de autores renomados da literatura infanto-juvenil brasileira, trazendo a tona elementos importante para a formação da criança enquanto um ser social capaz de ver e agir sobre a realidade no qual está inserido, sobretudo pelo fato de que as obras apresentadas contemplam situações reais e presentes no cotidiano da mesma.
O projeto intencionou desenvolver a capacidade de uso da linguagem oral e escrita em situações múltiplas ampliando a compreensão, a interpretação e a análise dos diferentes textos que fazem parte da literatura infantil, respeitando as variedades lingüísticas e tendo a leitura como fonte de informação e ampliação de seu conhecimento.
È intenção do mesmo, desenvolver a capacidade crítica e as habilidades de produção espontânea, procurando avançar em suas hipóteses sobre leitura e escrita, utilizando situações da realidade social e do cotidiano imediato de forma que compreendam tanto a língua oral quanto escrita, entendendo-as como a representação do processo, com diferentes usos culturais.
Dessa forma, trouxemos vida e obra dos autores Ziraldo e Ruth Rocha já apresentados no decorrer deste trabalho, as atividades foram pensadas a partir da realidade do grupo atendido, buscando estratégias metodológicas diferenciadas das propostas no ambiente escolar, promovendo dinâmicas de leitura de modo natural, sem imposições, fazendo com que a criança entenda o momento de leitura como algo que causa grandes descobertas, contentamento, alegria, satisfação e divertimento. As obras apresentadas do autor Ziraldo foram; FLICTS, O Menino Maluquinho e Cada um mora aonde pode. Em seguida trabalhamos Ruth Rocha com as obras O coelhinho que não era de páscoa, As coisas que a gente fala, A família de Marcelo, Os direitos da criança segundo Ruth Rocha e Marcelo, Marmelo, Martelo, as atividades de seqüência didática se deram de acordo com os níveis de leitura e escrita que as mesmas se encontram, assim o trabalho se fez através de leitura individual e coletiva, exibição de filmes, confecção de livro e cartazes feitas pelas crianças, cantinho de leitura, quadrinhas, jogos diversos, dinâmicas variadas tendo como norte as obras trabalhadas.
Dentre as atividades desenvolvidas e propostas no planejamento semestral, destacaremos a seguir a que se fez a partir do livro “O menino maluquinho” do autor Ziraldo. A obra apresenta uma criança ativa, levada, travessa, arteira, saudável, alegre, criativa, inteligente que traz em si uma felicidade contagiante, conseguindo transformar seus deveres em momentos de alegria, dividindo seu tempo para todas as atividades cotidianas de uma criança, o que faz com as crianças que leiam a história se identifiquem com as situações vividas pelo personagem. Esses e outros motivos não citados no momento nos levaram a escolher e a utilizar a referente obra como pontapé inicial das atividades do PIBID no primeiro semestre de 2011.
Inicialmente, realizamos coletivamente uma leitura da referente obra, na qual todas as crianças participaram inclusive as crianças que não dominavam ainda a leitura convencional, fazendo assim uma leitura das imagens. Posteriormente, com a divisão dos grupos por níveis de escrita, foi realizada a leitura em cada grupo intencionando um maior entendimento do conteúdo da obra, como pensado por nós bolsistas propomos as crianças que construíssem um livro da sua própria história, haja vista a obra contar a vida do menino maluquinho.
Como esclarecido anteriormente, organizávamos as crianças em níveis de leitura e as atividades desenvolvidas eram realizadas de acordo com as habilidades de cada criança. As crianças que se encontravam no nível Pré-silábico não faziam ligação entre letra e sons não estabelecem correspondência entre escrita e pensamento, crendo, em alguns casos, que basta ter a letra inicial para caracterizar uma palavra, não atribuindo importância a ordem das letras na palavra. Tais características definem bem parte do grupo atendido por nós, o que exigiu estratégias específicas para a construção do livro como representação de fatos da sua história através de desenhos, recortes e colagens. Embora não
havendo domínio convencional do código lingüístico por parte desse grupo, não hesitamos em realizar tentativas de leitura e escrita para que assim pudessem estar se familiarizando as mesmas.
No nível silábico, a criança encontra uma nova forma para entrar no mundo da escrita, descobrindo que pode escrever uma letra para cada sílaba da palavra e uma letra por palavra na frase. Por estarem em um nível em que ha vinculação entre escrita e o som da pronúncia, ou seja, parte do que se fala corresponde à parte da escrita, a criança trabalha com a hipótese de que a escrita representa partes sonoras da fala, este foi o ponto inicial das nossas produções.
Dentre as características citadas acima, a última repercutiu de forma decisiva para que optássemos por trabalhar com frases na confecção do livro. Inicialmente, realizamos a leitura do livro, mostrando as características e particularidades do autor a cada trecho, em seguida explanamos como seria a confecção na qual cada criança escreveria sobre sua vida, o que gosta de fazer, as brincadeiras, sobre a família, a escola, suas preferências, representando em seguida através de desenhos. Selecionamos dinâmicas que favorecessem o aprendizado de todos que estavam presentes na atividade, sendo assim, as crianças escreviam a frase em seu livro, e em seguida reescreviam no quadro para que fosse feita a correção, desta forma, todos aprendiam.
Após o processo de escrita, deu-se a parte de desenho e organização do livro, ao finalizar o livro propusemos que todos fizessem a leitura do seu livro.
O nível alfabético constitui o final da evolução da escrita, é neste processo que a criança já compreendeu que não basta uma letra por sílaba, e realiza uma analise sonora dos fonemas das palavras que vai escrever. A proposta de confeccionar um “livro” inspirado na obra de Ziraldo “Um Menino Maluquinho” serviu como uma atividade diagnóstica, visto que, os alunos iriam criar e produzir sua própria história.
Considerando o nível de escrita específico em que o grupo de alunos se encontra, solicitamos que todos produzissem um texto que serviria de base para a culminância do livro, a idéia era que a prática de ler, escrever, revisar e corrigir fosse acontecendo naturalmente, para que todos percebessem a estrutura e o funcionamento do sistema de escrita através de sua reconstrução. A partir desse escrito base fizemos as devidas correções, algumas coletivas, outras individualmente.
As intervenções ocorriam através de questionamentos, com a utilização do alfabeto móvel, jogo de sílabas, dicionário entre outros. Em seguida, trabalhamos a estrutura do texto, isto é, elementos que tornam o texto o mais coeso e coerente possível, levando em consideração o nível de aquisição da escrita e de desenvolvimento que cada criança se encontra, observando suas particularidades e erros comuns desta etapa.
Com o texto pronto, passamos para as ilustrações do livro e a produção da capa. Neste momento as crianças pediram para rever a obra que serviu de base para o trabalho, pois queriam ver como era a capa e os desenhos nela contido. As crianças notaram que os desenhos representavam a visão do autor, assim, seguiram a atividade com suas próprias produções.
Quanto ao título do livro optamos por deixar por último, todos, sem exceção preferiram por colocar seu nome seguido das palavras muito maluquinho (a), por exemplo: Marina muito maluquinha. O encerramento aconteceu de forma descontraída, todos estavam usando o “colete do Ziraldo”, que confeccionamos para usarmos durante todo o projeto como forma simbólica de se sentir um artista, fizemos uma breve retrospectiva de como havíamos construído o livro e posteriormente cada um teve oportunidade de ler sua história.


CONCLUSÃO


A construção deste artigo nos propiciou muita reflexão, discussão, planejamento, avaliação, enfim, muito crescimento, pois requereu maior trabalho em equipe e disponibilidade de tempo. No decorrer percebemos que tal atividade requer muito mais que uma formação sólida, requer entrega, dedicação, intelectualidade e que a conquista destes sinônimos nos possibilita abrir novos horizontes na formação docente e consequentemente na vida do educando.
As manifestações dos alunos sejam positivas ou negativas no decorrer das atividades, nos levaram a buscar novas estratégias que pudessem superar os problemas que por vezes nos deixaram aflitas, aflição esta que não se restringiu ao momento vivenciado, mas que se estendeu aos questionamentos, aos estudos de literatura direcionados as problemáticas inerentes, e ainda a profissionais que consolidaram sua formação por meio das práticas específicas da sala de aula, que fundamentam sua prática com teorias bem conhecidas, sem ao menos ter tido contato com as mesmas.
Todavia, o que se propôs nesse artigo foi compartilhar uma experiência de trabalhar a literatura infanto-juvenil a partir da biografia dos autores, para então trazer suas principais obras, destacando a escrita peculiar de cada autor e personagens, levando as crianças a se identificar com as situações presentes na história.
Assim, consideramos que a decisão de trabalhar com essa metodologia foi feliz, pois conseguimos atingir nossos objetivos com êxito, as crianças mostraram atraídas pelas obras, assimilaram fatos importantes da biografia do autor, e ainda desenvolveram de modo satisfatório as atividades de leitura e escrita.





1 Graduanda em Pedagogia, bolsista PIBID, Campus de Tocantinópolis-TO
2 Graduanda em Pedagogia, bolsista PIBID, Campus de Tocantinópolis-TO
3 Graduanda em Pedagogia, bolsista PIBID, Campus de Tocantinópolis-TO
4 Graduanda em Pedagogia, bolsista PIBID, Campus de Tocantinópolis-TO
5 Graduanda em Pedagogia, bolsista PIBID, Campus de Tocantinópolis-TO



REFERÊNCIAS


BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: língua portuguesa, v.2, Brasília, DF: MEC/ SEF, 1987.
COELHO, Nelly Novaes. Literatura Infantil: Teoria, Análise, Didática. 7. ed. São Paulo: Moderna, 2000.
ROCHA, Ruth. Marcelo, Marmelo, martelo. 2. ed. São Paulo: Salamandra, 1999.
ZILBERMAN, Regina. A literatura infantil na escola. São Paulo: Global, 1981.
PINTO, Ziraldo Alves. O menino maluquinho. 92. ed. São Paulo: Melhoramentos, 1998














*POST BY RITA DE CÁSSIA

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