segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

E o Bom Senso Morreu

Texto recebido por email - circulante em vários sites e blogs - sem menção da Autoria ou tido como Autor Desconhecido.


Olá,

É com muita tristeza que lhe participamos o falecimento de um amigo muito querido que se chamava BOM SENSO.

E que viveu muitos e muitos anos entre nós.

Ninguém conhecia com precisão a sua idade porque o registo do seu nascimento foi desclassificado há muito tempo, tamanha a sua antiguidade.

Mas lembramo-nos muito bem dele, principalmente pelas suas lições de vida como:

"O mundo pertence àqueles que se levantam cedo"

"Não podemos esperar tudo dos outros"

Ou ainda:

"O que me acontece pode ser em parte também por minha culpa"

E também:

O BOM SENSO só vivia com regras simples e práticas como:

"Não gastar mais do que se tem"

E de claros princípios educativos como:

"São os pais quem dão a palavra final"

Acontece que, o BOM SENSO começou a perder o chão, quando os pais passaram a atacar os professores, que acreditavam ter feito bem o seu trabalho querendo que as crianças aprendessem o respeito e as boas maneiras.

Sabendo que um educador foi afastado ao repreender um aluno por comportamento inconveniente na aula, agravou-se o seu estado de saúde.

Deteriorou-se mais ainda, quando as escolas foram obrigadas a ter autorização dos responsáveis, até para um curativo no machucado de um aluno, sequer podiam informar os pais de outros perigos mais graves incorridos pela criança.

Enfim, o BOM SENSO perdeu a vontade de viver quando percebeu que os ladrões e os criminosos tinham melhor tratamento do que as suas vítimas.

Também recebeu fortes golpes morais e físicos, quando a Justiça decidiu que era crime defendermo-nos de algum ladrão na nossa própria casa, enquanto a este último é dada a garantia de poder queixar-se por agressão e atentado à integridade física...

O BOM SENSO perdeu definitivamente toda a confiança e a vontade de viver quando soube que uma mulher, por não perceber que uma xícara de café quente iria queimar-lhe, ao derramá-lo em uma das pernas, recebeu por isso, uma colossal indenização do fabricante da cafeteira elétrica.

Certamente você já reconheceu, que a morte do BOM SENSO foi precedida pelo falecimento dos seu pais, a Verdade e Confiança, da sua mulher, a Discrição, da sua filha, Responsabilidade e do filho, Juízo.

Então, o BOM SENSO deixa o seu lugar para três falsos irmãos:

"Eu conheço os meus direitos e também os adquiridos"

"A culpa não é minha"

"Sou uma vítima da sociedade"
Texto recebido por email - circulante em vários sites e blogs - sem menção da Autoria ou tido como Autor Desconhecido.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O que é Letramento ?

LOPES, Antonia Osima. Relação de Interdependência Entre Ensino e Aprendizagem. In: VEIGA, Ilma, P. Alencastro (org). Didática: o ensino e suas relações. Campinas: Papirus, 1996.

Antonia Osima Lopes especialista em Currículo Acadêmico. Mestre em
Educação pela UNICAMP. Assessora Pedagógica da FACID. Ex-professora de
Didática da Universidade Federal do Piauí.

No presente texto de Antonia Osima Lopes trata sobre a relação de interdependência entre ensino e aprendizagem, que embora se considere convencionalmente distintas da didática, neste texto vai discutir essa relação de forma indissociável. Abordando que pensar sobre a dinâmica ensino aprendizagem é tarefa que deve fazer parte do cotidiano dos professores, como forma de questionamentos para buscar solucionar os problemas da realidade do fracasso escolar gerados pelos altos índices de repetência.
De acordo com a autora o fracasso escolar há algum tempo era visto como um problema individual de cada aluno, mas passou a ser visto como produto de múltiplos fatores, tanto intra como extra-escolares. Dessa forma existe um estado permanente de aprendizagem que é o do nosso cotidiano, onde aprendemos uma infinidade de coisas em interação com os outros e o ambiente, diferente dessa forma há outro tipo de conhecimento o sistematizado, que acontece no seio da instituição escolar.
A escola é uma instituição social com a função específica de proporcionar aos indivíduos que a freqüentam o acesso ao conhecimento sistematizado, acumulado historicamente. Esse conhecimento sistematizado segundo a autora numa sociedade capitalista, como a nossa, é reservado ao conhecimento das classes sociais economicamente favorecidas, as quais, de forma ideológica o transformam em ideias e práticas convenientes aos seus interesses, buscando impô-las como verdades acabadas para as demais classes sociais.
Para Lopes a ação transformadora é aquela tratada como uma situação dialógica, como espaço de discussões, descobertas e transformações. Dentre as posições pedagógicas tomadas como base no referencial teórico-dialético a perspectiva sociointeracionista é um caminho que tem sido adotado como campo de reflexão e desenvolvimento para solucionar a crise da escolarização.
No texto de Lopes fica claro que a perspectiva sociointeracionista é vista como solução para levar os educandos a ter um conhecimento sistematizado, e tem que haver por parte dos docentes empenho para desenvolver novas práticas pedagógicas, utilizando os conhecimentos já existentes dos alunos com problemas que gerem conflitos e questionamentos, pois só assim vai se alcançar a tão sonhada ação transformadora na educação.

Assim ao refletir sobre a educação e o processo de ensino e aprendizagem podemos destacar outro assunto com grande relevância o “ensino e pesquisa”, o qual tem sido alvo de muitas críticas no que se refere à qualidade de ensino.
Ao pensar sobre a educação ensino aprendizagem e o processo de pesquisa percebe-se que essas críticas podem ser analisadas sobre o enfoque da relevância que essas pesquisas trazem para a educação, pode-se pontuar que:

“O fracasso e a inadequação das práticas escolares que tornam como base o conhecimento como produto estão evidentes e é esta situação que tem impulsionado os educadores a se debruçar sobre os paradigmas, na tentativa de caracterizar as diferenças que subjazem distintas propostas pedagógicas. Por outro lado, os esforços democratizantes de parcelas da sociedades procuram encontrar alternativas para favorecer maior equalização social, entendendo que a educação pode ser um componente fundamental da liberdade” (CUNHA, 1996, p. 124).


Logo podemos fazer uma relação entre essas temáticas discutidas por muitos teóricos com o intuito de melhorar a qualidade de ensino, dessa forma tanto ensino e aprendizagem como ensino e pesquisa são considerados por muitos uma relação distinta, mas o que podemos perceber nessas relações é que uma depende da outra.
A educação vem sendo colocada como panacéia, ou seja, o remédio para todos os males, onde é preciso observar que o fator chave está relacionado às ideologias das classes dominantes, a qual não interessa um ensino de qualidade.

Assim no processo educacional brasileiro perpassam-se momentos que não fogem das conjunturas existentes. Porém o encontro do ensino e da pesquisa como o do ensino aprendizagem, deveria constar das práticas pedagógicas dos professores como fator primordial na sua atuação, haja vista que a educação, por maiores problemas que possa apresentar, é fundamentalmente ideológica.
Nessa perspectiva, a didática é a arte de ensinar e deve ser usada pelo professor para promover condições para superação do estado de exploração predominante na sociedade capitalista. Portanto, é importante salientar qual o papel da educação no processo de ensino e aprendizagem como no de ensino e pesquisa, que identifique alguns aspectos de relevância para melhorar e incentivar o aluno a uma reflexão teórica e crítica de sua atuação como co-autor de sua aprendizagem.



REFERENCIAS

CUNHA, Maria Isabel da. Relação ensino e pesquisa. In: VEIGA, Ilma, P. Alencastro (org). Didática: o ensino e suas relações. Campinas: Papirus, 1996.

LOPES, Antonia Osima. Relação de Interdependência Entre Ensino e Aprendizagem. In: VEIGA, Ilma, P. Alencastro (org.). Didática: o ensino e suas relações. Campinas: Papirus, 1996.

Leirinalva Alves de França

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

O Pequeno Príncipe



Ola queridos visitantes do nosso blog, nesses meses de férias tive o prazer de reler e assistir um clássico da literatura infantil “ O Pequeno Príncipe”, que é também um livro de adulto, “pois todo homem traz dentro de si o menino que foi”. Alguns escritores não o considera uma literatura infantil, por tratar de alguns assuntos cujo para “eles” as crianças não são capazes de entender, estes assuntos trazem alguns questionamentos sobre : a preguiça, o orgulho, a vaidade, a autoridade, a ganância, o compromisso,fidelidade e principalmente sobre a amizade
O livro retrata a imaturidade dos adultos em compreender as crianças, necessitando sempre de uma explicação. Mostra a inocência e imaginação da criança, o verdadeiro valor da amizade. Umas das partes que mais gosto e que irá discorrer sobre esse tema é quando encontra a raposa. Segue abaixo:

"E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia - disse a raposa.
- Bom dia - respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
- Eu estou aqui - disse a voz -, debaixo da macieira...
- Quem és tu? - perguntou o principezinho.
- Tu és bonita...
- Sou uma raposa - disse a raposa.
- Vem brincar comigo - propôs o principezinho. - Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo - disse a raposa. - Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa - disse o principezinho. Após uma reflexão, acrescentou:
- Que quer dizer "cativar"?
(...)
- Eu procuro amigos. Que quer dizer cativar?
- É uma coisa muito esquecida - disse a raposa. - Significa "criar laços"...
- Criar laços?
- Exatamente - disse a raposa. - Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil garotos. Eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro.
Serás para mim único no mundo. Eu serei para ti única no mundo...
(...)
- A gente só conhece bem as coisas que cativou - disse a raposa. - Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
(...)
- Os homens esqueceram essa verdade - disse a raposa. - Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...
- Eu sou responsável pela minha rosa... - repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
Só se ver bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos. Foi o tempo que perdeste com a tua rosa que a fez tão importante. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Só as crianças sabem o que procura,só as crianças conhecem o verdadeiro sentido das coisas.
Portanto, indico que trabalhem esse livro com as crianças, pois elas são altamente capazes de entende-lo e compreende-lo. Falo com tanta convicção, pois já fiz o teste. Vivemos em um mundo onde sentimentos, valores, virtudes estão sendo esquecidos, e nada melhor do que plantar essas sementinhas desde de cedo, e esse livro é umas das melhores formas de dar início a virtudes tão necessárias e importantes para a nossa convivência e o bem –estar de si próprio. Quem já teve o prazer de ler irá de concordar comigo e para quem não leu segue abaixo o link.
http://pt.scribd.com/doc/507625/pequeno-principe
Tenha uma boa leitura!!!!!
E quem quiser assistir o filme ele está disponivel no you tube.
Aproveite!!!



Maria Jucineide de Sousa

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

RESENHA: CANDIDO, Antonio, 1918- A literatura e a formação do homem In: Textos de intervenção; seleção apresentações e notas de Vinicius Dantas. São Paulo: Duas cidades Ed.34, 2002. 392 p. ( Coleção Espírito Crítico)


  O texto “A literatura e a formação do homem”, do autor Antonio Candido resulta de uma conferência pronunciada na XXIV Reunião Anual da SBPC (São Paulo 1972) e está dividido em três partes, nas quais apresenta elementos que fundamentam a tese apresentada pelo autor de que a literatura humaniza o homem. Para tal, o autor inicia abordando conceitos de função e estrutura no contexto das obras literárias, expondo ainda funções encontradas na literatura tais como a função psicológica, a função formadora e a função social, exemplificando cada uma destas no decorrer do texto.
        “Que incompatibilidade metodológica poderia existir entre o estudo da estrutura e da função?” (CANDIDO, 2002, p.77)
         A primeira parte do texto está voltada ao estudo do conceito de função e estrutura no âmbito da literatura. Nesse sentido, o autor afirma que os estudos modernos, não se ocuparam muito em estudar a função da obra literária, haja vista estes estudos se inclinarem à estrutura da mesma, consistindo em olhar os recursos que constituem a obra, partindo da visão mais generalizada, situando-a no contexto de modelos, o estudo da função, segundo Candido centraria sua expectativa em desvendar aspectos internos relacionados a sua singularidade, à função maior da literatura,  ao papel de uma determinada obra, primando por perceber qual a visão do autor, e responder questões acerca da maneira específica de sua escrita que exprime o seu modo de ver e pensar a realidade no qual está inserido,  e que serviu de base para tal produção. Candido segue mostrando que o estudo da função da obra literária ultrapassa seus limites estruturais, seus elementos de organização, encontrados no plano estrutural, alcançando o valor, as intenções que a obra tem para o público – leitor – de despertar, emocionar, sensibilizar ou até mesmo revoltar, dependendo da ficção e  da fantasias que esta traz consigo,
         Na segunda parte do texto o autor faz apontamentos sobre a função humanizadora da literatura, que além de exprimir o homem, influencia de maneira significativa na sua formação. Nessa perspectiva, o autor volta  seus esforços em apresentar duas funções conferidas à literatura: a função psicológica e a função formadora, A primeira está relacionada com uma característica própria do ser humano que se refere à necessidade que o homem tem de ficção e fantasia, que, nas palavras do autor, podem ser observadas lado a lado com as necessidades mais elementares do ser humano, como algo universal e involuntário, qie independe de classe  social, cultura, raça ou qualquer outro fator externo ou aspecto que explique o homem na sua diversidade.
       Conforme o autor, o leitor de uma obra literária , não está isento de sofrer influencias das diferentes informações que esta traz, provocando diversas reações que estão fora do controle de quem faz  a leitura, daí a razão do autor expor a segunda função “formadora“ que confere à literatura um caráter formativo, distinto da pedagogia oficial mas, em todo caso, educativo, tanto quanto a escola  e a família, instituições atuantes na formação do indivíduo. O ponto de vista de um autor, mesmo que de maneira implícita, defendido em uma obra, contribui para novos olhares sobre a realidade, com isso se este se propõe a propagar ideologias das classes dominantes ou defender interesses das classes consideradas desfavorecidas, o leitor de alguma forma terá uma nova postura, senão pelo menos questões a serem pensadas, que ainda não haviam sido desencadeadas. Esse não controle das inúmeras informações e a complexidade encontrada na literatura, segundo Candido, pode justificar as atitudes ambivalentes de alguns educadores que ora sentem-se fascinados pela força humanizadora da literatura, ora amedrontados pela sua infinita riqueza de informações, que pervertem e/ou subvertem o leitor. No entanto, o que o autor defende é que a literatura, não corrompe nem edifica, ela humaniza o homem de maneira plena.
         Na terceira e última parte do texto  o autor fala sobre uma outra função da literatura, a social, que resulta da relação estabelecida pelo leitor entre ficção e a realidade. A literatura resulta de dado momento histórico, assim representa a realidade de diferentes épocas, a partir do olhar do autor, que pode desempenhar um papel humanizador ou até alienador. O leitor, por sua vez, vai estabelecendo a relação no decorrer da leitura com a realidade em que está inserido, mas pautado em uma concepção de outrem. Para exemplificar essa função social, o autor faz referencia ao regionalismo brasileiro, à luz de escritos de dois autores, Coelho Neto e Simões Lopes Neto que podem representar de modo claro a dualidade entre a postura dos regionalistas dessa época. Segundo o autor, alguns regionalistas adotaram de modo autêntico a linguagem regional, o que acentuava as diferenças gritantes entre o discurso do autor com seu modo convencional e as falas dos personagens com características próprias da região, enquanto outros faziam a mesclagem entre a linguagem “culta” e a pecualiar, através do qual o sujeito rústico e o civilizado se anulam um no outro, no sentido de não sobressair um ao outro.
        Portanto os apontamentos feitos pelo autor no decorrer do texto são muito pertinentes ao caráter humanizador da literatura, considerando que não é conferido à obra literária um olhar que ultrapasse os limites estruturais, prende-se a atenção nos aspectos constituintes, deixando à margem o mais elementar da literatura, que diz respeito à capacidade de tornar o homem cada vez mais humano, que é considerada pelo autor a função maior desse gênero.
      Pode-se levantar a seguinte questão acerca da posição do autor: Como atribuir uma importância à gênese da obra literária, se os elementos que a constitui é que facilita a sua compreensão? Não se trata de dar um caráter reducionista à posição do autor, até porque suas afirmações fazem todo sentido, mas sobre a importância de se pensar a obra a partir desses dois princípios, que servem de base para a sua produção. A produção literária requer intenções e valores, ou seja, um ponto de origem, mas precisa ser retratada, aí que entra os elementos estruturais que permitem que esta seja produzida com caráter específico,  que, por sua vez, vai diferenciá-la de outras. É necessário que haja equilíbrio, embora esteja claro que em todo caso  a função maior da literatura é tocar o ser humano, é o seu sentido na totalidade que provoca no homem  a sensibilidade. Não se deve ler uma obra literária buscando identificar a sua estrutura, nem tampouco perder toda riqueza que esta traz no seu interior limitando a olhar tais aspectos, pois isso implica na fruição do livro, que resulta de uma leitura espontânea, atenta, e porque não dizer “gostosa’ de se praticar.
      O autor nos aponta novas perspectivas de pensar a literatura, sobretudo no contexto escolar, embora não tenha feito menção em nenhum momento do seu texto, se parar pra pensar na forma como a literatura tem sido trabalhada na escola, quais os objetivos que norteiam essas práticas, não precisaria fazer nem um estudo aprofundado para concluir que a literatura tem servido de ponte para estudar temáticas externas às funções expostas pelo o autor.
       Deve-se considerar que a escola, um ambiente em que todos os indivíduos deveriam ter contato com esse gênero, não consegue com magnitude responder a essa necessidade, pois quando coloca o aluno frente à literatura, busca trabalhar aspectos mais estruturais, referentes a inúmeras competências, que, na maioria das vezes, encontram-se externas às suas próprias funções.
      È cabível ressaltar que esse texto não é de fácil entendimento, haja vista requerer em vários momentos outras  leituras, que por sinal, não são indicadas pelo autor, deixando o leitor por vezes, em momentos de apuros, a linguagem utilizada não é tão complexa, mas considerando os horizontes de expectativas do leitor, torna-se árduo e lento o processo de absorção dos mecanismos explicativos utilizados pelo autor. Todavia, deve-se pensar ao fazer tal afirmação, e primeira instância o público alvo dessa produção,  se for direcionadas a pessoas que já tem conhecimento desse olhar mais elevado sobre a literatura e sua função humanizadora, vai ser uma leitura demasiadamente simples.
        De todo modo, esse livro nos traz novos horizontes acerca da literatura e seu poder de tornar o homem dada vez mais humano, essas observações  catadas acima, tornam –se mínimas, olhando  obra como um todo que traz elementos novos, sobre o processo  de fruição de um texto literário, servem como norte para o possível trabalho com literatura em sala, ou para estudos voltados a identificar as diferentes funções encontradas no interior do texto literário, seja clássico ou não, e a  sua capacidade de atuar sobre o indivíduo.

Raiolene Matos Leal

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

PROJOVEM ADOLESCENTE: POLÍTICA PÚBLICA PERMANENTE OU PROVISÓRIA?

PROJOVEM ADOLESCENTE: POLÍTICA PÚBLICA PERMANENTE OU PROVISÓRIA?



                                                                                                                              Silva,C. dos S.

                                                                                                                             França,L. A. de

                                                                                                                             Sousa, M. J. de

RESUMO



Este artigo analisa a implementação do Projovem Adolescente em Tocantinópolis e verifica seus avanços e suas continuidades, tendo como suporte a avaliação de políticas publicas e/ou sociais. O Programa Nacional de Inclusão de Jovens – Projovem foi concebido pelo Governo Federal, com o objetivo de ampliar o atendimento aos jovens excluídos da escola e da formação profissional. O programa permitirá que os jovens sejam reintegrados ao processo educacional, recebam qualificação profissional e tenham acesso a ações de cidadania, inserção no mundo do trabalho, esporte, cultura e lazer.



Palavras – Chaves: Projovem; Políticas Públicas; Avaliação.



ABSTRACT



This article examines the implementation of the Worker in Projovem Tocantinópolis and check their progress and their continuities, supported the evaluation of public policies and / or social. The National Youth Inclusion - Projovem was conceived by the Federal Government, aiming to expand its services to young people excluded from school and vocational training. The program will enable young people to be reintegrated into the educational process, to receive professional training and have access to good citizens, entering the world of work, sport, culture and leisure.



Key - words: Projovem; Public Policy Evaluation.

INTRODUÇÃO



Políticas públicas podem ser definidas como o conjunto de ações desencadeadas pelo Estado. No Brasil dividem-se nas escalas federal, estadual e municipal, com vistas ao bem coletivo. Elas podem ser desenvolvidas em parcerias com organizações não governamentais e, como se verifica mais recentemente, com a iniciativa privada. Estas são ações governamentais desenvolvidas em conjunto por meio de programas que proporcionam a garantia de direitos e condições dignas de vida ao cidadão de forma moderada e justa. Além de assegurar a população o exercício de direito de cidadania: Educação, Saúde, Trabalho, Assistência Social, Previdência Social, Justiça, Agricultura, Saneamento, Habitação Popular e Meio Ambiente.

De acordo com Silva (2001), Política Pública é uma forma de regulamentação ou intervenção na sociedade, pois ela se organiza e se estrutura a partir dos interesses sociais. A Política Pública é vista como uma forma de promover o bem-estar social dos menos favorecidos, devendo ser um mecanismo de distribuição de renda e de equidade social. Dessa forma, o Projovem- Programa Nacional de Inclusão de Jovem, é voltado para a educação profissional inicial de jovens de baixa renda das camadas populares e têm por objetivo dar respostas às questões sociais postas pelo quadro de extrema fragilidade desse segmento da população.

O PROJOVEM

O PROJOVEM foi criado como ação integrante da política Nacional de Juventude lançada pelo governo federal em 2005, compreendendo ( Ministério do Trabalho e Emprego):



• O desenvolvimento do programa Nacional de Inclusão de Jovens: Educação, qualificação e ação comunitária – Projovem – voltado especificamente para o segmento juvenil mais vulnerável e menos contemplado por políticas públicas então vigentes: jovens de 15 a 29 anos, que haviam terminado a quarta série mas não concluído a oitava série do ensino fundamental e não tinham vínculos formais de trabalho.
 
O programa caracterizou – se como emergencial, atendendo um segmento que tem necessidades de chegar ainda jovem no ensino médio, e experimental, baseando sua proposta curricular em novos paradigmas de ensino e aprendizagem que permitem articular o ensino fundamental, a qualificação profissional e a ação comunitária;



• A constituição da Secretaria Nacional de Juventude, vinculada à Secretária-Geral da Presidência da República, com as funções de: formular, supervisionar, coordenar, integrar e articular políticas para a juventude; articular, promover e executar programas de cooperação com organismos nacionais e internacionais, públicos e privados, voltados para a implementação de políticas para a juventude;



• A implantação do Conselho Nacional de Juventude, órgão colegiado integrante da estrutura básica da Secretaria – Geral da Presidência da República, composto por representantes de órgãos governamentais, organizações juvenis, organizações não governamentais e personalidades reconhecidas pelo seu trabalho com jovens. Tem por finalidades: (A) assessorar a Secretaria Nacional de Juventude na formulação de diretrizes da ação governamental; (B) promover estudos e pesquisas acerca da realidade sócio – econômica juvenil; (C) assegurar que a Política Nacional de Juventude do Governo Federal seja conduzida por meio de reconhecimento dos direitos e das capacidades dos jovens e da ampliação da participação cidadã.



Essas três entidades foram instituídas em 2005, por meio da Medida Provisória nº 238, de 01/02/2005, transformada na Lei 11.129, de 30/06/2005. A implantação simultânea, naquele mesmo ano, do Programa, da Secretaria e do Conselho, com suas distintas e complementares finalidades e funções, representou um novo patamar de políticas públicas voltadas para a juventude brasileira, considerada em sua singularidade, diversidade, vulnerabilidades e potencialidades.








O Programa Projovem tem como objetivo geral promover a criação de oportunidades de trabalho, emprego e renda para os jovens em situação de maior vulnerabilidade frente ao mundo do trabalho, por meio da qualificação sócio profissional com vistas à inserção na atividade produtiva. Mais especificamente requerer ações que contribuam para o reconhecimento e valorização dos direitos humanos da cidadania e com a redução das desigualdades; preparar e inserir os jovens no mundo do trabalho, em ocupações com vínculo empregatício ou em outras atividades produtivas legais geradoras de renda.



A gestão do Projovem é compartilhada entre a Secretaria Geral da Presidência da República, por meio da Secretaria Nacional de Juventude e os Ministérios do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, da Educação e do Trabalho e Emprego.



O PROJOVEM ADOLESCENTE NO MUNÍCIPIO DE TOCANTINÓPOLIS



O Projovem tem quatro modalidades: Projovem Urbano; Projovem Campo – Saberes da Terra; Projovem Trabalhador; e Projovem Adolescente. No município de Tocantinópolis a modalidade atendida é o Projovem Adolescente, em 2010 foram oferecidos dois programas: Projovem Trabalhador com os cursos: Agro - Extrativismo, Beleza Estética e Administração e o Jovem Profissional com o curso de Auxiliar em Contabilidade.



O Projovem trabalhador é um programa do Governo Federal que no Tocantins é executado pela Secretaria Estadual da Juventude. O programa tem como intenção preparar para o mercado de trabalho jovens de 18 a 29 anos, que sejam membros de família com renda per capita de até um salário mínimo.

Alem do curso de qualificação com duração de 6 meses, eles irão receber uma bolsa auxilio no valor de R$ 100,00 mensal. Depois disso, o governo do estado, tem como contrapartida a inclusão de pelo menos 30% destes beneficiados no mercado de trabalho.

O Jovem Profissional também é um programa da Secretaria Estadual da Juventude que visa promover a inclusão digital e social de jovens de 15 a 29 anos, através de cursos profissionalizantes. Os cursos profissionalizantes têm como meta qualificar jovens para ingressar no mercado de trabalho, ou ainda possibilitar o aprimoramento profissional daqueles já inseridos. As opções de cursos são: Auxiliar em Administração com Pratica em Informática e Auxiliar em Contabilidade com Pratica em Informática.



São atendidos jovens de 15 a 29 anos, com renda familiar de até dois salários mínimos. O curso tem duração de dois meses, sem bolsa auxilio, apenas com certificado. O programa tem como finalidade: tornar os jovens aptos a ingressarem no mercado de trabalho; promover a inclusão digital; promover a inclusão social por meio de acesso à educação profissionalizante.



De acordo com a coordenadora do programa Neyla Duarte Cardoso, a principal dificuldade é a falta de interesse, pois, os jovens só estão interessados na bolsa auxílio. Para receber o beneficio é necessário o preenchimento de uma ficha de freqüência que é encaminhada para Brasília e não deve conter mais de três faltas, em que é analisado pelo IPDE – Instituto de Pesquisa, Desenvolvimento e Educação.



As metas e perspectivas do programa têm como elemento orientador e facilitador do processo de qualificação e inserção dos jovens no mundo do trabalho, ocupando o mesmo com coisas necessárias, para a aprendizagem e produção de conhecimento.



O programa oferece doze cursos no total para o Estado, que são: administração, agro extrativismo, arte e cultura, beleza estética, gestão pública e terceiro setor, madeiras e móveis, gráfica, metal mecânica, serviços domiciliares, telemática, turismo e hospitalidade e vestuário, porém, deveria haver uma melhor distribuição para que não ficasse centrado apenas em uma só região.



Contudo, podemos observar que o espaço em que é desenvolvido o programa Projovem é dividido com a Secretaria de Esportes da cidade, tornando – se um espaço mínimo para a realização das atividades. Deveria ser oferecidas cartas de estágios, para que facilitasse a inserção dos jovens no mercado de trabalho, podendo assim estes cursos ganhar credibilidade perante a sociedade.

CONSIDERAÇÕES FINAIS



Para Belloni “a avaliação de uma política deve considerar alguns parâmetros referenciais de análise: política como um dos instrumentos de ação do Estado, conceitos e perspectivas político-filosoficas relativas à questão objeto da política, e a política específica tal como é formada e implementada.” (2007, p.28) Assim, diante da pesquisa realizada e do pressuposto mencionado acima concluímos que o Projovem é uma política pública permanente, visto que, por meio da Medida Provisória nº 238, de 01 de fevereiro de 2005, este foi transformado na Lei 11.129, em 30 de junho de 2005.



De acordo com a pesquisa de campo verificamos que o Projovem, desde sua criação em 2005, é supervisionado, porém, a prática avaliativa de políticas públicas não é realizada. Para tal, seria necessário levar em consideração os critérios avaliativos a seguir: eficiência – que verifica a relação entre os custos despendidos e os resultados dos programas; eficácia – refere-se aos objetivos e metas alcançadas pela população beneficiada; e, por último, efetividade – que se refere á relação entre os resultados e os objetivos, ou seja, o impacto que o programa causou na sociedade.



Por tanto, a avaliação se caracteriza por atribuir o valor a algo, implicando no julgamento dos resultados e/ou impactos do programa a partir de critérios pré-estabelecidos explicitando os porquês destes. Desta forma, nos reportamos e concordamos com Silva quando afirma que “ no Brasil a prática de avaliação de políticas e programas sociais ainda é muito restrita e desenvolvida mais como mero controle de gastos do que para realimentar os programas em desenvolvimento, servindo muitas vezes para punir e desenvolver uma cultura do medo.” (p. 46)













REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS



www.mte.gov.br



ARRETCHE, M.T.S; Uma contribuição para fazermos avaliações menos ingênuas. In: Tendências e Perspectivas na Avaliação de Políticas Públicas e Programas Sociais. Ano: 2001



BELLONI, I; MAGALHÃES, H; SOUSA, L, C. Metodologia de avaliação em políticas públicas. 4ª ed. São Paulo: Cortez, 2007 (questões da nossa época).



SILVA, M.O.da S.(org) Avaliação de políticas e programas sociais: teoria e prática. São Paulo: Veras editoras, 2001.



CIBELE DOS SANTOS SILVA
LEIRINALVA ALVES DE FRANÇA
MARIA JUCINEIDE DE SOUSA